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	<title>Literatura Fugaz</title>
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		<title>Literatura Fugaz</title>
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		<title>A Promessa de Caeiro</title>
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		<pubDate>Fri, 20 Jan 2012 00:09:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Guilherme Iacovino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
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		<description><![CDATA[Aos 40 anos, Beto? &#8211; balbuciou sua esposa em tom sarcástico quando Alberto afirmou, de peito estufado, em uma reunião de família, que começaria a correr e que, no final do ano, disputaria a corrida de São Silvestre. Como de &#8230; <a href="http://literaturafugaz.wordpress.com/2012/01/20/a-promessa-de-caeiro/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=literaturafugaz.wordpress.com&amp;blog=2434527&amp;post=784&amp;subd=literaturafugaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Aos 40 anos, Beto? &#8211; balbuciou sua esposa em tom sarcástico quando Alberto afirmou, de peito estufado, em uma reunião de família, que começaria a correr e que, no final do ano, disputaria a corrida de São Silvestre.</p>
<p>Como de praxe, fez-se um silêncio. Em seguida, todos voltaram a seus afazeres sem a mínima atenção. Sua mãe, senhora simples e de elegância ímpar, aos 80 anos,  mirava-o, de sua cadeira de rodas, com o mesmo olhar de reprovação que a acompanhara por décadas.</p>
<p>As promessas anuais de Alberto Caeiro já eram famosas e, ao contrário do homônimo, poeta simples, cuja alma era envolta pela natureza, nosso Caeiro era opulento e adorava repetir como mandara cimentar metade de seu sítio no interior de São Paulo para não sujar seus carros de barro.</p>
<p>Sendo assim, &#8220;mais uma promessa vazia&#8230;&#8221; cochicharam os familiares. Em voz baixa, claro, pois os churrascos da família eram organizados justamente pelo Beto.</p>
<p>No dia seguinte, em uma loja de artigos esportivos, Alberto comprou o tênis que, teoricamente &#8211; fez questão de ressaltar a esposa -, o acompanharia nos próximos meses. Ao contrário de seu gosto requintado, aquele era preto com riscos em verde. Nada de mais. Também não possuía molas à mostra nem era do tipo profissional. De forma estranha, encaixava-se bem nos seus pés.</p>
<p>Na primeira semana, Caeiro caminhava em um parque próximo de casa. Eram quarenta e cinco minutos em passos lentos e quinze de um &#8220;trote&#8221; não muito promissor. Com sua idade, não se esperava muito. A mãe, que morava no apartamento ao lado, encostava-se na janela para observar as belezas do parque e, ao mesmo tempo, seu filho.</p>
<p>A turma de corredores noturnos descansava embaixo de uma árvore frondosa e papeava até altas horas. Alberto, ao contrário, recostava-se em um pequeno Café de esquina e vez ou outra escutava as conversas de algum enfadonho grupo de executivos. Durante duas semanas, o treino foi o mesmo, de final solitário.</p>
<p>Contudo, no início da terceira semana, Amélia reparara naquele preguiçoso estranho que terminava sua segunda volta no parque enquanto os demais já completavam sua quinta. Era difícil não perceber que Beto realmente não sabia o que estava fazendo. O mesmo considerava caro pagar um <em>personal trainer</em> para algo que ele dizia ser intrínseco ao ser humano, isto é, correr ou, no seu pensamento, fugir. Por consequência, a jovem resolveu convidá-lo a correr em sua companhia.</p>
<p>Àqueles que acreditam que nosso protagonista aceitara o convite em face da beleza da jovem, enganam-se. Beirava aos 25 anos, loira, olhos castanhos, óculos da moda, mas, nada além disso. A esposa de Beto, Cristina, ao vê-la, não se sentiu confrontada. Talvez contribuiu o fato de Amélia sempre voltar de carona com uma amiga de infância. Enfim, não era a mais atraente.</p>
<p>De qualquer forma, Amélia despertara em Beto um senso de disciplina incomum. O &#8220;trote&#8221; desanimado transformou-se em um conjunto de passadas rápidas. A corrida ganhava ritmo e terreno. Para quem não suportaria essa rotina por um mês, Caeiro comemorou os três meses em que separara três dias da semana para se exercitar. O café solitário transformou-se em bate-papos informais sobre televisão e filmes clássicos, uma das paixões de Amélia ao lado de pizzas e cervejas artesanais. Em um dos encontros ela mostrou uma foto, não tão antiga, na qual se encontrava jogada no sofá ao lado de seu cão, o qual parecia um pequeno bicho de pelúcia frente ao tamanho da jovem.</p>
<p>No fim, chegara o grande dia. Beto alongou-se, beijou a esposa e se preparou para a largada. Não almejava terminar a o percurso da São Silvestre, mas também não queria terminar entre os últimos. Temia aproximar-se da linha de chegada e somente encontrar garis recolhendo o lixo acumulado.</p>
<p>No entanto, arrastando-se ao lado da já considerada velha turma da corrida, Alberto Caeiro, com uma rara simplicidade digna do heterônimo de Fernando Pessoa, ultrapassou a linha de chegada, beijou novamente a esposa e deitou-se em um gramado próximo.</p>
<p>Em primeiro lugar, pensou na surpresa dos familiares ao saber que finalmente havia cumprido uma promessa feita. Confrontaría-os com um sorriso malicioso. Contudo, mesmo o opulento Beto percebera como as mudanças fazem bem e que, muitas vezes, não se consegue atingi-las sozinho.</p>
<p>Continuou, dessa forma, a correr. E sua mãe, que o vira normalmente à distância, começou a descer quase todos os dias, munida de sua cadeira de rodas e de um recente bom-humor, para vê-lo se exercitar.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/literaturafugaz.wordpress.com/784/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/literaturafugaz.wordpress.com/784/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/literaturafugaz.wordpress.com/784/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/literaturafugaz.wordpress.com/784/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/literaturafugaz.wordpress.com/784/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/literaturafugaz.wordpress.com/784/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/literaturafugaz.wordpress.com/784/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/literaturafugaz.wordpress.com/784/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/literaturafugaz.wordpress.com/784/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/literaturafugaz.wordpress.com/784/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/literaturafugaz.wordpress.com/784/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/literaturafugaz.wordpress.com/784/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/literaturafugaz.wordpress.com/784/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/literaturafugaz.wordpress.com/784/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=literaturafugaz.wordpress.com&amp;blog=2434527&amp;post=784&amp;subd=literaturafugaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Entre Sonhos e Obras de Arte</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Jan 2012 00:36:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Guilherme Iacovino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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		<category><![CDATA[Crônica]]></category>
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		<description><![CDATA[Thomas Steinberg, 33 anos, descrente em signos, fases da lua ou mesmo na existência de algo maior do que seus um metro e noventa e sete de altura. Depois de cinco anos de casado, resolveu enfurnar-se em um Monza 1984/1985, &#8230; <a href="http://literaturafugaz.wordpress.com/2012/01/13/entre-sonhos-e-obras-de-arte/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=literaturafugaz.wordpress.com&amp;blog=2434527&amp;post=777&amp;subd=literaturafugaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Thomas Steinberg, 33 anos, descrente em signos, fases da lua ou mesmo na existência de algo maior do que seus um metro e noventa e sete de altura. Depois de cinco anos de casado, resolveu enfurnar-se em um Monza 1984/1985, unicamente para não pagar IPVA, e viajar um ano pelo país.</p>
<p>Ao retornar, quase sem economias, dedicou-se à publicidade, ramo em que criatividade e competição caminham pararelos e, em um Congresso sobre Expressionismo Alemão, conheceu Anita, 22 anos, menina simples e dedicada cujo objetivo era tornar-se artista plástica e viver unicamente em prol da arte.</p>
<p>Já estava acostumado com mulheres de pensamentos completamente discrepantes aos seus. Karina, sua ex-mulher, pertencia a três organizações sociais, além de, na visão de Thomas, torrar seu dinheiro todo final de ano, seja presenteando os filhos dos filhos dos vizinhos ou em doações à metade das instituições filantrópicas em São Paulo.</p>
<p>Sendo assim, quando Anita sorriu-lhe no bar dizendo que, em alguns anos, se imaginava envolta de diversas pinturas em seu pequeno apartamento no centro, Thomas já previa uma situação semelhante à anterior. Para qualquer imprevisto, o mapa da última viagem continuava no porta-luvas. De qualquer forma, frente aos olhos azuis da jovem artista, era difícil negar-lhe algum pedido.</p>
<p>Contudo, com um olhar atônito, semelhante ao dos personagens de Nelson Rodrigues, mas, ainda, sem previsão de traições ou assassinatos, os pedidos praticamente não existiam. Sem contar a primeira vez em que saíram, Anita fazia questão de repartir a conta em todos os lugares, do bar ao motel, além de dividir muitos dos afazeres do dia a dia.</p>
<p>Thomas poderia deixar seu orgulho prevalecer e se sentir desconfortável com a situação – o que, de início, realmente aconteceu frente aos olhares de repulsa advindos de garçons por toda São Paulo –, porém, no final do mês, ao acessar o saldo de sua conta bancária, ele não conseguia esconder um sorriso bobo de satisfação. Foram cinco longos anos sem essa sensação.</p>
<p>Neste período, amor e dinheiro eram indissociáveis, sendo o primeiro dependente do outro. Uma vida burguesa nada moderna criava em Thomas uma situação de enclausuramento e desenvolvia um sentimento de culpa a cada momento em que não agradasse à sua ex-esposa com ornamentos fúteis e desnecessários.</p>
<p>Ao casar-se com Anita, três anos depois do sorriso do bar, a carreira desta já estava em ascensão, com seus quadros sendo expostos em espaços internacionais e cobiçados em diversos leilões. Após o nascimento do primeiro filho, ao trocarem de apartamento, Thomas decepcionou-se ao aceitar o dinheiro advindo da venda do primeiro quadro de sua mulher. Este representava a dedicação de Anita na busca pelos seus sonhos. A obra havia sido arrematada por um aristocrata alemão que já considerava a jovem uma artista completa.</p>
<p>Entretanto, não há óbice para se criarem novos sonhos. Anita proferiu estes dizeres, sorriu-lhe com atenção e se dedicou ao filho que se arriscava engatinhando pelos cantos do imóvel. Thomas, neste instante, lembrou-se de como lhe fez bem descartar o mapa de viagem do porta-luvas. E nunca se arrependeu disso.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/literaturafugaz.wordpress.com/777/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/literaturafugaz.wordpress.com/777/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/literaturafugaz.wordpress.com/777/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/literaturafugaz.wordpress.com/777/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/literaturafugaz.wordpress.com/777/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/literaturafugaz.wordpress.com/777/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/literaturafugaz.wordpress.com/777/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/literaturafugaz.wordpress.com/777/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/literaturafugaz.wordpress.com/777/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/literaturafugaz.wordpress.com/777/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/literaturafugaz.wordpress.com/777/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/literaturafugaz.wordpress.com/777/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/literaturafugaz.wordpress.com/777/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/literaturafugaz.wordpress.com/777/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=literaturafugaz.wordpress.com&amp;blog=2434527&amp;post=777&amp;subd=literaturafugaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Vinho</title>
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		<pubDate>Tue, 14 Jun 2011 01:20:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Guilherme Iacovino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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		<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexão]]></category>
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		<description><![CDATA[Descrevia-se como cético e contestador. Seus discursos vazios influenciavam uma minoria preguiçosa na arte de pensar e, por conseguinte, seu ego inflava a ponto de chegar em grandes alturas. Detentor de oratória refinada, acomodava-se próximo aos líderes de sua empresa &#8230; <a href="http://literaturafugaz.wordpress.com/2011/06/14/vinho/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=literaturafugaz.wordpress.com&amp;blog=2434527&amp;post=745&amp;subd=literaturafugaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Descrevia-se como cético e contestador. Seus discursos vazios influenciavam uma minoria preguiçosa na arte de pensar e, por conseguinte, seu ego inflava a ponto de chegar em grandes alturas. Detentor de oratória refinada, acomodava-se próximo aos líderes de sua empresa e acreditava ser imprescindível em seu posto.</p>
<p>Em uma manhã de quinta-feira, em razão de sua lábia e de sua habilidade para o nascimento de debates acalorados em assuntos em que não há necessidade destes, levou dois tiros de um policial militar à paisana após ultrapassar o sinal vermelho em um movimentado cruzamento da cidade.</p>
<p>Viu-se, assim, em uma situação terminal e, minutos depois, com espanto, em uma cantina italiana. A arquitetura desta assimilava-se à de uma igreja, com janelas enormes, vitrais e tijolos carcomidos pelo tempo. Sobre a mesa, uma garrafa de vinho e dois copos. Apesar das cinco mesas no recinto, havia somente estes dois copos, já cheios.</p>
<p>Confiante de que sobreviveria a qualquer desafio, esmiuçou pacientemente o local, contando o número de janelas, os vitrais, os quadros, além da porta, a qual não sentia vontade de sair, talvez por receio &#8211; não admitido &#8211; do que poderia vir.</p>
<p>Após alguns minutos, escutou passos nos corredores. Pelo barulho e lentidão destes, imaginava ser um homem de idade. Ele portaria uma bengala, em razão do estampido que ouvia antes dos sons dos sapatos.</p>
<p>Curioso, a porta abriu-se. Um jovem alto e magro, de óculos com aros escuros, observou-o dos pés à cabeça. Os cabelos eram escuros e cobriam-lhe os olhos. Sentou-se na cadeira a sua frente. O visitante, assim, sentiu-se apreensivo, normalmente já estava preparado para tudo, mas este rapaz não era bem o que havia imaginado.</p>
<p>- Confortável? &#8211; perguntou o jovem, ajeitando os óculos por debaixo dos cabelos.</p>
<p>- Bastante, além do mais o ambiente é acolhedor, de grande beleza. &#8211; respondeu o visitante.</p>
<p>- Por que não respondeu apenas &#8220;bastante&#8221;?</p>
<p>- Justamente porque o ambiente propicia conforto. Apenas ressaltei este ponto.</p>
<p>- Nunca foi de seu feitio ser lacônico, não é?</p>
<p>- De fato, não. Desde pequeno movia multidões com meus discursos inflamantes.</p>
<p>- Também nunca prezou pela modéstia?</p>
<p>- Não. &#8211; afirmou o visitante, percebendo, de imediato, a crítica indireta aos seus atos.</p>
<p>- E o que fará após sair desta sala?</p>
<p>-Ajudarei aos demais colegas, como sempre fiz. Contudo, de início, beijarei minha esposa e demonstrarei meu carinho. Puxarei delicadamente seu braço e a convidarei para um belíssimo jantar em algum restaurante japonês caro.</p>
<p>Neste instante, o jovem leva, lentamente, a taça vinho à boca e questiona:</p>
<p>- Ou seja, continuará com a mesma hipocrísia de antes de vir à minha casa?</p>
<p>Não descreveria desta maneira. Embora individualista, preciso auxiliar aos demais, mesmo que seja em prol de meu próprio desenvolvimento. Embora casado, não a amo. Mas, sinto que devo fazê-la feliz. Como você percebe, não sou um Bono Vox e muito menos um Don Juan. Meu cotidiano é oscilante e, se prezasse sempre por justiça e honestidade, talvez não sobrevivesse.</p>
<p>O silêncio envolveu o ambiente.</p>
<p>Diante de tanta sinceridade raramente proferida, o visitante segurou a taça de forma desajeitada e ergueu-a rapidamente antes de saborear o vinho.</p>
<p>Não direi que ao prová-lo, a bondade em seu coração dera pequenos sinais de que ainda queimava, até porque, isto soaria apenas como um trecho de uma nobre poesia. Contudo, abriu-se a única porta do ambiente e o moço ao seu lado começava a observá-lo com atenção.</p>
<p>O silêncio exigia uma decisão do visitante. E, sem pestanejar, ele a tomou. Seguiu pela porta e desceu as escadarias a passos largos. Os óculos, nesse momento, já estavam sob a mesa. Os olhos não exibiam o menor sentimento. Todavia, interessante tentar entender o que nos faz tão hipócritas cotidianamente. Não que isto influencie nossos pensamentos ou traga mudanças reais. Entretanto, ajuda a entender o que envolve, justamente, ser uma pessoa.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/literaturafugaz.wordpress.com/745/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/literaturafugaz.wordpress.com/745/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/literaturafugaz.wordpress.com/745/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/literaturafugaz.wordpress.com/745/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/literaturafugaz.wordpress.com/745/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/literaturafugaz.wordpress.com/745/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/literaturafugaz.wordpress.com/745/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/literaturafugaz.wordpress.com/745/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/literaturafugaz.wordpress.com/745/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/literaturafugaz.wordpress.com/745/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/literaturafugaz.wordpress.com/745/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/literaturafugaz.wordpress.com/745/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/literaturafugaz.wordpress.com/745/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/literaturafugaz.wordpress.com/745/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=literaturafugaz.wordpress.com&amp;blog=2434527&amp;post=745&amp;subd=literaturafugaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Conhaque</title>
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		<pubDate>Sat, 11 Jun 2011 23:23:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Guilherme Iacovino</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Dia dos Namorados.]]></category>

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		<description><![CDATA[Desde que Ana desapareceu, sem dar notícias, de sua quitinete na Avenida São João, Lucas, ex/atual namorado da jovem, deixava, semanalmente, uma flor, envolta em uma velha garrafa de conhaque, ao lado de sua porta, na esperança de uma ligação &#8230; <a href="http://literaturafugaz.wordpress.com/2011/06/11/conhaque/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=literaturafugaz.wordpress.com&amp;blog=2434527&amp;post=766&amp;subd=literaturafugaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Desde que Ana desapareceu, sem dar notícias, de sua quitinete na Avenida São João, Lucas, ex/atual namorado da jovem, deixava, semanalmente, uma flor, envolta em uma velha garrafa de conhaque, ao lado de sua porta, na esperança de uma ligação ou, pelo menos, uma simples mensagem de agradecimento.</p>
<p>Às quartas-feiras, às nove da manhã, Lucas, com o aval do porteiro, adentrava ao prédio munido de uma rosa e um sorriso, trocava a água do &#8220;vaso&#8221;, e, rapidamente, retirava-se. Vez ou outra deparava-se com a vizinha, a qual sempre o cumprimentava, mas que prendia sua atenção no pequeno bulldog ansioso por um passeio matinal.</p>
<p>Após seis meses de uma rotina que já incomodava ao síndico e permitia um pingado de padaria ao florista no meio da semana, as flores começaram a sumir. A garrafa, contudo, retornava ao mesmo lugar, como se pedisse por uma próxima flor.</p>
<p>Lerdo ou, apenas, um tonto. De qualquer forma, Lucas continuava a alimentar o corredor de novas flores, sem ao menos um sinal. Inspirava-se em Vinicius de Moraes, poeta que permeava os pensamentos da jovem, e que fê-lo aprender a cuidar corretamente da mulher amada. Mas, mesmo seus pensamentos, esvaneciam sem uma resposta.</p>
<p>No entanto, prestes a livra-se do &#8220;vaso&#8221; e substituí-lo por outro, sem flores, mas acompanhado de um copo com gelo, a porta do apartamento abriu-se. De início, receio. Seus olhos espantados esmiuçavam lentamente o corpo da jovem. Vestia o básico, calça jeans e camiseta branca. Já havia percebido que as coxas não eram as mesmas e teve certeza ao chegar à cintura. No entanto, ficou satisfeito.</p>
<p>Chegou, finalmente, ao rosto. Uma bela jovem sorria-lhe. Cabelo repicado na altura do pescoço, olhos de tom azul, vivazes, em contraste com a pele clara. Apresentou-se. Disse que se alegrava ao ver, a cada semana, uma nova flor em frente a casa. Agradeceu-o e se retirou.</p>
<p>Lucas continuou a alegrá-la. Não precisou mais da permissão do porteiro para fazê-lo.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/literaturafugaz.wordpress.com/766/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/literaturafugaz.wordpress.com/766/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/literaturafugaz.wordpress.com/766/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/literaturafugaz.wordpress.com/766/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/literaturafugaz.wordpress.com/766/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/literaturafugaz.wordpress.com/766/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/literaturafugaz.wordpress.com/766/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/literaturafugaz.wordpress.com/766/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/literaturafugaz.wordpress.com/766/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/literaturafugaz.wordpress.com/766/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/literaturafugaz.wordpress.com/766/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/literaturafugaz.wordpress.com/766/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/literaturafugaz.wordpress.com/766/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/literaturafugaz.wordpress.com/766/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=literaturafugaz.wordpress.com&amp;blog=2434527&amp;post=766&amp;subd=literaturafugaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Dois cravos, um cigarro e uma pinga</title>
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		<pubDate>Wed, 18 May 2011 19:51:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Guilherme Iacovino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Fugaz]]></category>

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		<description><![CDATA[Dedicou-se 30 anos à vida boêmia junto aos amigos e, após uma forte crise de asma, despediu-se da vida sem uma gota de álcool à boca. Em seu enterro, aos prantos, os companheiros lamentaram-se da perda. Reuniram, um tanto quanto &#8230; <a href="http://literaturafugaz.wordpress.com/2011/05/18/dois-cravos-um-cigarro-e-uma-pinga/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=literaturafugaz.wordpress.com&amp;blog=2434527&amp;post=756&amp;subd=literaturafugaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Dedicou-se 30 anos à vida boêmia junto aos amigos e, após uma forte crise de asma, despediu-se da vida sem uma gota de álcool à boca.</p>
<p>Em seu enterro, aos prantos, os companheiros lamentaram-se da perda. Reuniram, um tanto quanto relutantes, algumas moedas de baixo valor constantes em seus bolsos desgastados. Compraram dois cravos, um cigarro e uma pinga, em garrafa de plástico, os quais representariam o carinho e a amizade que compartilharam por anos.</p>
<p>Despediram-se em definitivo, dos dois cravos.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/literaturafugaz.wordpress.com/756/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/literaturafugaz.wordpress.com/756/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/literaturafugaz.wordpress.com/756/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/literaturafugaz.wordpress.com/756/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/literaturafugaz.wordpress.com/756/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/literaturafugaz.wordpress.com/756/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/literaturafugaz.wordpress.com/756/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/literaturafugaz.wordpress.com/756/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/literaturafugaz.wordpress.com/756/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/literaturafugaz.wordpress.com/756/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/literaturafugaz.wordpress.com/756/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/literaturafugaz.wordpress.com/756/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/literaturafugaz.wordpress.com/756/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/literaturafugaz.wordpress.com/756/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=literaturafugaz.wordpress.com&amp;blog=2434527&amp;post=756&amp;subd=literaturafugaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Jeitos e Trejeitos</title>
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		<pubDate>Sat, 07 May 2011 18:06:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Guilherme Iacovino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[conto]]></category>
		<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>

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		<description><![CDATA[Livrei-me do cinzeiro prateado, sempre ao lado da janela, que acinzentava a cortina com os restos de meu cigarro. O bolso do paletó, cujo odor afastava-a de minha boca pela manhã, rejeitou o maço vermelho, companheiro de almoços e da &#8230; <a href="http://literaturafugaz.wordpress.com/2011/05/07/jeitos-e-trejeitos/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=literaturafugaz.wordpress.com&amp;blog=2434527&amp;post=752&amp;subd=literaturafugaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Livrei-me do cinzeiro prateado, sempre ao lado da janela, que acinzentava a cortina com os restos de meu cigarro. O bolso do paletó, cujo odor afastava-a de minha boca pela manhã, rejeitou o maço vermelho, companheiro de almoços e da boêmia por anos a fim.</p>
<p>O uísque das infindáveis noites de insônia não se faz mais necessário. De início, em minha proposta, não pretendo, e, por conseguinte, não prometo abandonar ao álcool. Sem este olhar de reprovação, por favor. Desejo, contudo, embebedar-me apenas de bom-humor em alguns dias&#8230; Poderia ser?</p>
<p>Ademais, levarei-os ao colégio. Aprontarei seus lanches. Ajudarei-os a se vestir. Admito que fui contumaz. Entretanto, não seria o momento apropriado para escutar, na medida de nossa situação, o vento da mudança?</p>
<p>À noite, estarei em casa. Dê aos seus olhos a oportunidade de ver-me como outro. E não dê a outro a possibilidade de conhecê-la. Desnecessário novos dias de jeitos e trejeitos. Conhecemo-nos. É óbvio.</p>
<p>Então, vejo-a em instantes.</p>
<p>Não, não&#8230; atente ao meu bolso vazio. Cigarro à parte. Não prometi parar de fumar.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/literaturafugaz.wordpress.com/752/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/literaturafugaz.wordpress.com/752/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/literaturafugaz.wordpress.com/752/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/literaturafugaz.wordpress.com/752/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/literaturafugaz.wordpress.com/752/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/literaturafugaz.wordpress.com/752/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/literaturafugaz.wordpress.com/752/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/literaturafugaz.wordpress.com/752/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/literaturafugaz.wordpress.com/752/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/literaturafugaz.wordpress.com/752/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/literaturafugaz.wordpress.com/752/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/literaturafugaz.wordpress.com/752/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/literaturafugaz.wordpress.com/752/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/literaturafugaz.wordpress.com/752/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=literaturafugaz.wordpress.com&amp;blog=2434527&amp;post=752&amp;subd=literaturafugaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>O Pedido</title>
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		<pubDate>Fri, 06 May 2011 01:04:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Guilherme Iacovino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[conto]]></category>

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		<description><![CDATA[Almir chegou aos 40 anos. Após retornar do escritório no qual trabalhava doze horas por dia, seis dias por semana, encostou-se ao lado da filha, de apenas duas primaveras, no sofá. Em meio a um desenho e outro que, em &#8230; <a href="http://literaturafugaz.wordpress.com/2011/05/06/o-pedido-2/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=literaturafugaz.wordpress.com&amp;blog=2434527&amp;post=748&amp;subd=literaturafugaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Almir chegou aos 40 anos. Após retornar do escritório no qual trabalhava doze horas por dia, seis dias por semana, encostou-se ao lado da filha, de apenas duas primaveras, no sofá. Em meio a um desenho e outro que, em tempos de emburrecimento, até proporcionavam algo benéfico à jovem, escutou-a fazer-lhe um pedido.</p>
<p>Carina não conseguia concatenar uma frase totalmente compreensível e o pai, claramente, nem cogitava interrogá-la sobre o pedido, mas aceitou-o sem pestanejar.</p>
<p>No dia seguinte, ainda comemorando não ter mais de pagar o IPVA, pegou seu velho Monza comprado em 1990 – a “carroça”, como sua esposa carinhosamente denominava-o – e seguiu a uma loja de construção.</p>
<p>Não entendia muito de tintas, admitia, mas, por meio de um esboço – como se pudesse chamá-lo  assim – e de uma forte gesticulação Almir explicou ao vendedor seus planos. Após observar uma dezena de cores, marcas e pincéis, colocou os itens escolhidos no porta-malas e retornou para casa. Descarregou o material no quarto que pertencia ao seu filho mais velho antes deste ir à academia – de direito, ressaltemos – e trancou-o.</p>
<p>Nos dias posteriores, acordava uma hora mais cedo e se trancava lá. Saia sempre com a mesma camisa branca e uma bermuda florida, resquício do filho. Não permitia que sua mulher entrasse e somente lhe dizia que estava em uma grande empreitada. Já que o rendimento no trabalho e em outros lugares continuava o mesmo, Regina não se incomodou.</p>
<p>Ela percebia o cansaço no rosto do marido. Acreditou que ele construía paulatinamente uma academia – esta sim de exercícios – e acordava todos os dias mais cedo para malhar. Almir estava mais animado, feliz, disposto e bem mais magro, tendo em vista sua tendência à boêmia às sextas à noite.</p>
<p>Carina completou seis anos e, antes de seu pai deixá-la na escola, via-o sair do pequeno recinto e cogitava sobre o que havia por lá. Imaginava invenções peculiares e, após um filme tarde da noite na casa de seus tios, alertava seu pai sobre os perigos de se construir uma máquina de algodão doce gigante, frente à possibilidade da casa ser engolida por esta.</p>
<p>Aos 9 anos,  um tanto precoce, com roupas multicoloridas e linguajar à la MTV, abriu mão de saber das loucuras dos pais e se preocupava mais com seu estilo e os amigos da escola. Almir foi obrigado até a trocar de carro em razão da filha sentir-se envergonhada em ir à escola com ele.</p>
<p>Contudo, em seu aniversário de 10 anos, Almir chamou-a para conversar. Relembrou os últimos anos, os ótimos momentos que viveram e comentou sobre certo pedido o qual, com razão, sua filha não lembrava.</p>
<p>Quase na casa dos 50, Almir terminou de pintar o quarto. Via-se diversas estrelas, reconhecia-se algumas constelações e cogitava-se se uma ou outra mancha era um planeta ou, simplesmente, uma mancha. Contudo, podia-se reconhecer com perfeição a lua. Esta destacava-se em meio ao quarto estrelado.</p>
<p>O pai delicadamente segurou a mão de sua pequena e encostou-a na lua. Aos dois anos, no sofá ora carcomido da sala, Carina havia dito que queria tocar neste astro. Almir, neste momento, havia usado a velha tática de postergar desejos infantis e comentado das dificuldades da realização desse projeto, não necessariamente com estas palavras. Mas, a pequena tinha um objetivo e seus olhos brilhavam pela primeira vez com um tom de seriedade. Depois de oito anos, ainda estava convicto de que o quarto estrelado simbolizava a paciência que devemos ter para a realização de nossos sonhos.</p>
<p>Hoje, Carina mudou-se da casa. A lua continua a ser desbravada por pequenas mãos.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/literaturafugaz.wordpress.com/748/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/literaturafugaz.wordpress.com/748/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/literaturafugaz.wordpress.com/748/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/literaturafugaz.wordpress.com/748/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/literaturafugaz.wordpress.com/748/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/literaturafugaz.wordpress.com/748/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/literaturafugaz.wordpress.com/748/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/literaturafugaz.wordpress.com/748/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/literaturafugaz.wordpress.com/748/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/literaturafugaz.wordpress.com/748/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/literaturafugaz.wordpress.com/748/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/literaturafugaz.wordpress.com/748/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/literaturafugaz.wordpress.com/748/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/literaturafugaz.wordpress.com/748/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=literaturafugaz.wordpress.com&amp;blog=2434527&amp;post=748&amp;subd=literaturafugaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Humor e Música Clássica</title>
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		<pubDate>Sat, 19 Mar 2011 21:20:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Guilherme Iacovino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Internacional]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Comédia]]></category>
		<category><![CDATA[cultura popular]]></category>
		<category><![CDATA[humor]]></category>
		<category><![CDATA[Música Clássica]]></category>

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		<description><![CDATA[Aleksey Igudesman e Hyung-Ki Joo são dois músicos clássicos que têm se destacado pelo mundo por seus shows que mesclam música clássica, teatro, cultura popular e humor. Abaixo, três esquetes bem divertidas da dupla.<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=literaturafugaz.wordpress.com&amp;blog=2434527&amp;post=733&amp;subd=literaturafugaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Aleksey Igudesman e Hyung-Ki Joo são dois músicos clássicos que têm se destacado pelo mundo por seus shows que mesclam música clássica, teatro, cultura popular e humor. Abaixo, três esquetes bem divertidas da dupla.</p>
<p><object width="640" height="505"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/ifKKlhYF53w?version=3"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/ifKKlhYF53w?version=3" type="application/x-shockwave-flash" width="640" height="505" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p><object width="640" height="505"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/WOQaK7NHY-4?version=3"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/WOQaK7NHY-4?version=3" type="application/x-shockwave-flash" width="640" height="505" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://literaturafugaz.wordpress.com/2011/03/19/humor-e-musica-classica/"><img src="http://img.youtube.com/vi/Xui7x_KF7bY/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
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		<title>Remarkable Guide to the Orchestra</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Mar 2011 19:04:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Guilherme Iacovino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[Comédia]]></category>
		<category><![CDATA[Música Clássica]]></category>

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		<description><![CDATA[Bill Bailey é um renomado músico, ator e comediante inglês. Em Remarkable Guide to the Orchestra, programa especial de uma hora exibido pela BBC, ele demonstra em pequenas e divertidas doses a história da música clássica, seus principais instrumentos, além &#8230; <a href="http://literaturafugaz.wordpress.com/2011/03/07/remarkable-guide-to-the-orchestra/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=literaturafugaz.wordpress.com&amp;blog=2434527&amp;post=729&amp;subd=literaturafugaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Bill Bailey é um renomado músico, ator e comediante inglês. Em <em>Remarkable Guide to the Orchestra</em>, programa especial de uma hora exibido pela BBC, ele demonstra em pequenas e divertidas doses a história da música clássica, seus principais instrumentos, além de fazer menção a trilhas sonoras de filmes e seriados. Bem divertido.</p>
<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://literaturafugaz.wordpress.com/2011/03/07/remarkable-guide-to-the-orchestra/"><img src="http://img.youtube.com/vi/MdO3u6ORlGM/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
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		<title>Fotojornalismo Financiado</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Mar 2011 15:18:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Guilherme Iacovino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Fotojornalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[O site Emphas.is tem como objetivo financiar trabalhos fotojornalísticos relevantes para a compreensão da sociedade. Percebe-se o incentivo tanto à imersão em novas culturas quanto à análise aprofundada em relação a diferentes problemas sociais. Excelente iniciativa.<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=literaturafugaz.wordpress.com&amp;blog=2434527&amp;post=724&amp;subd=literaturafugaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O site <em><a href="http://tinyurl.com/4mfjl3w">Emphas.is</a></em> tem como objetivo financiar trabalhos fotojornalísticos relevantes para a compreensão da sociedade. Percebe-se o incentivo tanto à imersão em novas culturas quanto à análise aprofundada em relação a diferentes problemas sociais. Excelente iniciativa.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/literaturafugaz.wordpress.com/724/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/literaturafugaz.wordpress.com/724/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/literaturafugaz.wordpress.com/724/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/literaturafugaz.wordpress.com/724/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/literaturafugaz.wordpress.com/724/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/literaturafugaz.wordpress.com/724/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/literaturafugaz.wordpress.com/724/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/literaturafugaz.wordpress.com/724/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/literaturafugaz.wordpress.com/724/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/literaturafugaz.wordpress.com/724/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/literaturafugaz.wordpress.com/724/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/literaturafugaz.wordpress.com/724/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/literaturafugaz.wordpress.com/724/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/literaturafugaz.wordpress.com/724/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=literaturafugaz.wordpress.com&amp;blog=2434527&amp;post=724&amp;subd=literaturafugaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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