Universidade Paraíso Paulista, sala 509b do curso de direito, dezenove horas, olhares de espanto.
– Rodrigo, só por curiosidade, o que diabos você fez com seu corpo?
– Bruno, por favor, está tão óbvio, decidi mostrar ao mundo toda a bagagem cultural que adquiri com os anos. É uma forma de me abrir ao mundo. Sem redes sociais, blogs, mensagens.
– Claro, muito óbvio, a maioria das pessoas quando adentram a universidade fazem o mesmo…
– Deixando de lado seu sarcasmo, posso explicar o que fiz?
– Por favor, prossiga.
– Bom, no braço direito tatuei os nomes dos autores que fizeram diferença em minha infância: Monteiro Lobato, Pedro Bandeira, Ziraldo e, até mesmo, Mauricio de Souza. Este último com a Turma da Mônica desenhada ao redor. Quadrinhos, sem dúvida, foi uma ótima opção de leitura quando menino.
– No braço esquerdo incluí os autores que me acompanharam na época de colégio. José de Alencar, Guimarães Rosa, Graciliano Ramos, o inigualável – de ironia simples e cortante – Machado de Assis e, até mesmo, alguns poetas como o obscuro Augusto dos Anjos e o multifacetário Fernando Pessoa. Para este último pensei em desenhar um rosto, mas estou em dúvida se a imagem penderá mais para um heterônimo ou para outro. No rosto optei por autores estrangeiros que me fizeram gostar de quebra-cabeças: Agatha Christie e Josh Grisham. Nas costas…
– Espere – espanta-se Bruno – você tatuou as costas? Quantos livros você leu em sua vida?
– Bruno – explica Rodrigo – em minhas costas estão somente os músicos, seus CDs e DVDs, que me influenciaram e, assim…
– Calma aí, como assim? Praticamente você se tornou uma Livraria Cultura ambulante!
– Não, não, ainda não tenho espaço suficiente…
– Como assim “ainda”?
– Vou engordar. Ainda tenho muitos livros para ler na vida.